quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Estudante na rua!

O movimento contra o aumento das passagens de João Pessoa, na última quarta (26), resolveu mudar sua estratégia de atuação. Visto que, após cinco manifestações, o Prefeito ainda se negava a receber as pautas dos estudantes, eles decidiram ocupar pacificamente o Paço da Prefeitura.

Cerca de cem estudantes permaneceram a tarde inteira dentro do salão térreo. Enquanto isso, cinquenta estudantes que tiveram acesso negado ao prédio da prefeitura, fecharam duas vias da avenida da entrada principal. O movimento ganhou visibilidade: a atitude diferencial fez com que o Prefeito Luciano Agra (PSB) respondesse ao chamado do povo e comparecesse à audiência.

O combinado foi que seis representantes do movimento contra o aumento das passagens se dirigissem ao Centro Administrativo em água fria, para darem início às negociações. A reunião se deu longe das manifestações, porque, segundo o prefeito, o Palaço estaria alagado por conta das chuvas.

Quando o diálogo se iniciou, os estudantes que ocupavam o prédio saíram pelos portões da frente e juntaram-se aos demais da rua para continuar o ato. Enquanto em Água Fria estavam na fase de negociação, os estudantes no centro entraram, mais uma vez, gratuitamente na Integração.

O ato desta quarta-feira simbolizou que os estudantes e a população estão insatisfeitos com o sistema de transporte coletivo de João Pessoa. Os direitos estão sendo exigidos à quem é de dever cumpri-los. Por isso, o movimento afirma que continuará nas ruas até que todas as suas reivindicações sejam atendidas.

Depois da negociação no Centro Administrativo, o Prefeito prometeu atender  seis das catorze reivindicações. O movimento diz que não aceitará apenas as seis, já que, a Prefeitura e as empresas de ônibus não estão concedendo nenhum tipo de benefício ou favor à população. As reivindicações não passam de direitos há um tempo não cumpridos pela administração pública.

A Prefeitura prometeu cumprir os seguintes pontos: 1. a auditoria nas planilhas das empresas de transporte urbano; 2. a realização de um seminário sobre o transporte coletivo; 3. a implantação de mais 5 postos de recarga, sendo um deles no Terminal de Integração; 4. a melhoria na divulgação de como funciona o sistema de integração temporal; 6.  a contabilização dos lucros obtidos pelas empresas.


#contraoaumentoJP
Liziane Correia

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

direito gritado na rua: O AUMENTO DA PASSAGEM É UMA SACANAGEM!


imagem de Luluyse

Uma voz ali gritou marromenos assim:
MÃOS AO ALTO, DOIS E 10 É UM ASSALTO!
Outro ouviu, refletiu, prosseguiu.
E de grito em grito
 A gente fez um tremendo muído!

Um bando de estudante
Que não é otário,
Pensou que o lucro do empresário
Era bem maior que tudo quanto é salário.

E se é o trabalhador e a trabalhadora
O pai, a mãe, a sogra
Os filhos e as filhas
Que pagam por um transporte
Nojento, apertado e esculhambado
Tem que aumentar é o nosso salário!

Mas ói bem, seu prefeito,
O povo né besta não
Esse aumento é uma enganação
E eu não vou ficar parado
Sendo mais um explorado.

Com 2,10 de ida, outro de volta
Junte todo dia
Num mês, quanto sobra?

Eu vou pra rua, eu quero respeito
Meu direito de sujeito
É ter escola, saúde, trabalho,
Um bocado de lazer e moradia.
Pra ter isso tudo, vô precisar
de mais de uma passagem num dia.

Comé que sou pessoense
E na minha cidade
Não posso andar livremente?

Essa briga é nossa! Todinha!
E se eu quiser andar de cabo à rabo
Eu posso! Porque transporte
Num é mercadoria.

Fecha rua seu moço!
Grite aí minha sinhora!
Num deixe por isso mermo!
Esse aumento da passagem
É uma sacanagem!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O custo de ir e vir: o movimento contra o aumento da passagem


De quem é o benefício? Não precisa pensar muito pra dizer que a cidade tem condições de suportar um transporte público de baixo custo ou gratuito – quem lembra do SETUSA? A concessão da prefeitura aos empresários do transporte é um grande desrespeito aos direitos do cidadão pessoense, que é enganado enquanto o serviço é vendido como benefício.
Vamos pesar o custo real dos transportes para um cidadão, considerando que seja morador de uma zona periférica, através da imagem de um dia de trabalho. Primeiro, há poucas linhas do ônibus em circulação, as vias urbanas são péssimas, junte o trânsito, o ônibus chega lotado, demorou a passar, você não tem direito nem a sentar, essa linha não vai até o outro lado da cidade, pegue outro ônibus: tudo de novo. Depois de quase duas horas de estresse, chega-se ao emprego. São mais oito horas. No fim do expediente: tudo se repete. Custo: quatro passagens gastas, doze horas fora de casa.
O custo não pesa só no bolso: além do financeiro, tem o psicológico. No primeiro, uma considerável parte do seu salário serve para alimentar os lucros do empresário dos transportes. Sem contar o quanto o patrão, também empresário, lucra enquanto explora o seu serviço. Depois de doze horas fora de casa, o estresse causado pela falta de tempo (para o descanso, para o lazer, para o estudo e os afazeres do lar) torna a vida mais difícil.
Fica claro que o benefício vai para os empresários. Tanto do transporte quanto para os demais. Afinal, muita gente sai de casa na condição de trabalhador ou de consumidor. Enquanto isso, a maior parte da população pessoense fica sem acesso à própria cidade. Sem acesso à saúde, ao trabalho, ao estudo e ao lazer. Ficam à mercê do Estado, que entrega os direitos básicos da população aos setores privados. Essa é a injustiça que a política da capital paraibana tenta mascarar através de praças, campos de futebol, shows gratuitos e serviços de internete.
A cadeira esborrachada do DCE. O Movimento Estudantil de João Pessoal, através do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Paraíba, se propôs a pensar com a população o real valor do transporte coletivo. É prática dos empresários aumentarem a tarifa durante as festividades de fim de ano, sempre entre o natal e o ano novo, com a homologação da prefeitura.
No fim de 2010, o Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT) – instância consultiva da STTrans, se reuniu para discutir as propostas para o novo aumento. O DCE que possui legalmente assento no conselho foi excluído desse debate, mesmo anteriormente tendo exigido ao CMTT que a discussão fosse realizada apenas quando o período se iniciasse, para que os estudantes, parcela significativa dos prejudicados com o aumento pudesse participar das discussões. A tarifa subiu de R$ 1,90 para R$ 2,10, um aumento de 10,5%.
A homologação realizada pelo Prefeito Luciano Agra (PSB) com o CMTT passou por cima da Lei 8.767, de 15 de abril de 2009, não foram realizadas audiências públicas com setores representativos mais atingidos da sociedade - trabalhadores, estudantes e moradores de comunidades periféricas - para discutir os aumentos das passagens de ônibus.
Dizem os número irreais. A disputa pela opinião pública é ridícula. Querem que o povo acredite que vale a pena pagar por um transporte que se renova constantemente e pela qualidade. O argumento é bem afastado da realidade, mesmo assim, é usado. Alem disso, tentam convencer a população através de planilhas e dados, números sem fim, que o aumento é justo. Longe de ser uma questão de gráficos orçamentários da empresa, ou jurídica, a questão é política. São os direitos de uma boa parcela da sociedade que estão sendo tomados.
Durante a primeira manifestação dos estudantes (29/12/2010), foi exigida uma audiência com o Prefeito para o dia seguinte, que alegou que não poderia comparecer indicando para a reunião a superintendente da STTrans Laura Farias. No dia seguinte, a mesma se reuniu com três representantes do DCE. A negociação não iniciava, a superintendente não tinha pretensão de dialogar com os estudantes, a conversa não avançava na medida em que ela não ouvia os argumentos contrários ao aumento enquanto cuspia números, dados e porcentagens a serviço dos empresários.
O lucro dos empresários é de quase metade de cada passagem, as planilhas e relatórios escondem esses dados, os números são irreais, as contas são desonestas. Enver José, o conselheiro tarifário do DCE, disse que a planilha tarifária determina que quanto maior for o número de estudantes, mais alto é o preço da tarifa. O fato é que de 2006 até o ano passado, a quantidade de estudantes diminuiu de 40% para 20%, por conta da bilhetagem eletrônica.
O descontentamento dos estudantes que aguardavam na chuva os lembrou que a Prefeitura é do povo, então, resolveram entrar. Os portões logo foram trancados. Entraram pelos portões dos fundos, os guardas tentaram impedir a entrada pacífica dos estudantes e alguns funcionários diziam que não podiam ficar ali, vozes gritavam que a prefeitura era do povo. Tentaram expulsar os estudantes e ameaçaram parar a reunião que não avançava. Permaneceram firmes, resistindo até a reunião acabar. O resultado? Previsível. A reunião não deu em nada.
Ignorando o povo e parando a cidade. A passagem passou a custar R$2,10 a partir do dia 3 de Janeiro deste ano. A luta dos estudantes não parou. E o grito passou a ser: se a passagem não baixar a cidade vai parar! Desde o aumento os estudantes realizaram cinco atos no centro de João Pessoa. As concentrações sempre aconteceram em frente à Prefeitura e a paralisação do trânsito nos cruzamentos entre ela e a Lagoa. Foram faixas, cartazes, apitos, caminhadas na rua, ocupação gratuita na Integração de ônibus e panfletagens, tudo isso para que o prefeito do Partido Socialista Brasileiro escutasse a sociedade.
A repressão também apareceu. Na tarde do dia 12/01, cerca de 200 homens fardados de motoristas e cobradores, entre eles capangas e agitadores, receberam dos empresários do transporte R$ 30,00 para que reprimissem o ato dos estudantes. Ironicamente, diferente das outras manifestações, não havia viaturas da polícia próximas. A polícia foi chamada e garantiu aos estudantes que poderiam sair em caminhada, direito seu, pois, nada aconteceria e que já haviam acertado que os motoristas já estavam de saída. A caminhada mal havia começado quando motoristas e pessoas armadas avançaram para cima dos estudantes, a polícia que estava acompanhando o ato em sua viatura não fez nada. O choque chegou atirando para cima, dando coronhada em estudante e jogando gás de pimenta. Ficou mais uma vez claro a quem os aparelhos do Estado obedecem, eles e os motoristas tem o mesmo patrão. 
O Prefeito marcou uma audiência para terça-feira, dia 18, não compareceu. Agora os estudantes se organizam para um ato maior na próxima quarta-feira (26) e esperam que Luciano Agra apareça e se posicione. A força do movimento contra o aumento cresce a cada ato, mesmo nas férias, e a mobilização será muito maior quando os estudantes voltarem às aulas em fevereiro.
 Enquanto isso o movimento continuará parando a cidade e exigindo a redução da tarifa para R$1,90; pedindo atuação do Ministério Público, uma auditoria para analisar as contas das empresas de transporte público e as planilhas que justificaram o aumento; debates e seminários sobre mobilidade urbana em João Pessoa; e a criação de tarifas sociais.
Os pessoenses tem sua dignidade humana diminuída sempre que seu direito de ir e vir - pressuposto de liberdade, é diminuído. A manutenção desses aumentos faz piorar a condição de vida das pessoas. Enquanto o objetivo for o lucro dos empresários e não a qualidade de vida do povo, mais a cidade vai sofrer. Esse desgaste, que é maior nas classes populares, reflete nas outras políticas e tentativas de serviço público da cidade, como escola, hospital, cultura, etc. É a via para chegar nos demais direitos que está mal sinalizada. O caminho ainda é a luta do povo pela sua emancipação. É uma construção coletiva. A Prefeitura precisa respeitar a necessidade que o povo tem e visualizar uma nova política urbana, que crie condições coletivas de mobilidade, radical ou não, mas que não crie anualmente injustiças sociais.

#contraoaumentoJP 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sonho Real - Goiás - vídeo

Sonho real
Terra, bala
Seculismo divino
Pesadelo sentido
A lei é de papel
Queima na terra,
Sonho Real.

Covardia
Autoridade

Deus está com nós
E o Estado
[Democrático de Direito]
Está com quem?

Salve, Antônio Conselheiro!
Filhos da puta!
Cumprimento constitucional!

Desconstitui
Covardia
Moradia
12 Mil

A luta continua

Justiça

Sonho Real

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dignidade é mais que vocábulo, e a igualdade transcende a expressão do signo linguísitico.
Ser sujeito de direito tem correspondido a ser eventualmente sujeito de direito.
A susceptibilidade de tal titularidade não tem implicado concreção, efetividade.
A proclamação conceitual inverte-se na realidade. Livres e iguais para não serem livres e iguais.

p.35 ~ Luiz Edson Facchin ~Teoria critica do direito civil

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Do desenrolar ... ao desabrochar : (NEP) Flor de Mandacaru

É no dia 12 de Novembro que o nosso projeto, conhecido carinhosamente por DHGV, termina. Nesse dia fecharemos as atividades nos CRCs com o Seminário "Proposição, intenção e extensão: os encontros e desencontros no diálogo da cidadania e dos direitos humanos". É nele que vamos expor para os CRCs onde tivemos alguma atividade, -e para os outros oito - o que aprendemos, o que achamos positivo, onde falhamos. E, claro que, também vamos ouvir do pessoal o que acharam de tudo.

A proposta inicial do DHGV foi levada, ou seja, atuamos com uma certa intenção, mas, na extensão, os caminhos são tão diversos e embaralhados que, a nossa proposta , também, tomou rumos diversos. Trabalhar com pessoas significa aprender com pessoas : que vivem em um determinado local, contexto, esfera política e possuem interesses/desejos diversos. Portanto, fica difícil delimitar quais as condicionantes nos levaram à um resultado aparentemente inesperado.

O "aparentemente" - também justificado pelo pouco tempo de atuação nas comunidades (Jardim Veneza e Mangabeira) - pode não ter sido aparente para outros estudantes colaboradores extensionistas. Isso porque, eu, ainda não consegui aprender com os processos e a não me frustrar. Ter o desejo de participar de uma mudança radical na nossa sociedade, mesmo que seja pontual, em determinado bairro da minha cidade, me faz não considerar que o pouco tempo de projeto (sete meses) trouxe algum resultado sólido. Não esquecendo que foi ímpar a experiência de conhecer os choques de interesses que permeiam a comunidade do Timbó, e também, de acompanhar de perto o trabalho e relatos dos extensionistas do Jardim Veneza e de Mangabeira.

Foi por acreditar que bastavamo o planejamento e a vontade de transformar a realidade daquelas pessoas, de parte da minha sociedade, através de sua união para luta e concretização de interesses coletivos combatendo aquilo/àqueles/as que estivessem dispostos a negar direitos assegurados, que eu não enxerguei(enxergo) um resultado.

Afinal, no desenrolar da extensão, percebemos o quanto é difícil tornar visível a todos que o interesse de um indivíduo também pode ser o dos outros, e que, é mais fácil criarmos um sentimento conjunto de desejo pela concretização de tal interesse e lutarmos por ele juntos, fortes, do que, esperarmos que o Estado ou a Prefeitura venham a cada um de nós e nos tragam o nosso direito, seja ele qual for.

Mas, ainda no desenrolar da extensão, posso dizer que um dos desencontros tenha sido a metodologia que focasse o engajamento daquelas pessoas. Talvez tenhamos errado por ter levado às pessoas oficinas, mesmo quando com dinâmicas diferentes e divertidas. Do mesmo modo, ao mesmo tempo, os encontros apareceram nessas dinâmicas, através delas ouvimos, falamos, trocamos, dialogamos.

Fazendo um resumão, bem supercial, digo que no Jardim Veneza as pessoas participavam das oficinas; em Mangabeira o desenrolar do projeto o transformou numa assessoria à um grupo limitado de pessoas que queriam regularizar uma associação de artesãos; e, no já tão falado Timbó, o projeto não chegou a atuar.

Em uma das reuniões internas de avaliação, percebemos que o propósito em Mangabeira havia se perdido, e que, por isso, não continuaríamos a trabalhar com o pessoal da ASSAM, passaríamos a bola para outro grupo da UFPB (o NAJAC). A avaliação do Jardim Veneza foi a positiva. O grupo de participantes da comunidade era diversificado. Muitos eram empregados da Prefeitura ou do Estado (agentes de saúde, professores, alunos do PET, etc). As oficinas ocorreram bem, os temas trabalhados se relacionavam com cidadania e acesso à justiça, as pessoas dialogavam sobre os problemas enfrentados pela comunidade.
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Infelizmente, por conta de um projeto novo da UFPB, o CRDH, os professores que estavam envolvidos no DHGV colocaram em cheque a existência do nosso grupo de extensão. Nesse tempo, o finado grupo do Timbó, estava se preparando para em 2011 atuar em Mangabeira sob outro viés (o Pro-Jovem). Então, a partir da notícia, coube a nós, extensionistas, decidirmos os rumos do DHGV.

Tínhamos as opções de: a) findar de vez; b) atuar ainda como projeto vinculado à PMJP; c) atuar como um eixo do NEP - com ou sem PMJP ; d) atuar fora do vínculo com a PMJP; e) atuar no NEP, não atuar mais nessas comunidades.

O NEP é o Núcleo de Extensão Popular Flor de Mandacaru, um grupo de extensionistas que trabalham com formações internas para a extensão popular, gestionado pelos próprios estudantes, assessorando através [também] da educação popular grupos já organizados, desde 2007. Esse ano, constituíram o NEP três eixos: Terra, Quilombo e Mediação de Conflitos/Justiça Comunitária.

Não está claro ainda se o CRC do Jardim Veneza, via PMJP, será um novo eixo do NEP. Isto porque, foi apontado em uma das reuniõe do NEP, que talvez não fosse interessante o trabalho de mobilização de grupos dentro de um possível sujeito de enfrentamento: a prefeitura. Além do mais, nenhum dos extensionistas do JV apareceu na reunião e disse com todas as palavras que gostaria de trabalhar no CRC, dando continuidade ao que jpa vinha sendo posto. Por isso, ainda, não ficou-se de vez definido o destino do DHGV.

Mas, mesmo assim, o meu posicionamento
foi tomado. Espero atuar no NEP, fora dos CRCs, fora da PMJP, fora do Estado. Não por descrença total na prefeitura, nem descrença total de que as oficinas tomem outros rumos. Mas por interesse em outros meios, em meios já organizados, e também, meios vulneráveis. Esse novo meio seria o MTD - Movimento dos Trabalhadores Desempregados.

Esses encontros e desencontros, dentro e fora da universidade, criaram muitas expectativas, ampliando minhas visões sobre o curso e sobre o desenrolar do curso. Fico feliz que no fim, esse desenrolar do projeto tenha me levado a conhecer mais coisas. Agora é só esperar: enrolar e desenrolar, me frustrar, e - hahaha - aprender no processo. :)

domingo, 24 de outubro de 2010

Em que ponto queremos chegar ?

Após três dias de discussões, painéis e oficinas os estudantes de Direito - da Regional: PB, PE e RN - já podiam colocar uma interrogação ao lado do tema do Encontro. Direito como meio de transformação social?

(Não seria romantismo demais acreditar que o instrumento que vem servindo há tanto tempo às elites brasileiras seria o meio responsável para transformar/inverter algo da sociedade? Pois é, parte dos jovens que estão no curso tem apostado que as formas de dominação perpetuadas pelos instrumentos jurídicos podem ser modificadas.)


Bom, foi na Plenária Final que nós estudantes pontuamos o que queremos para o curso.

Pontos que acreditamos serem necessários à formação política e que não podem deixar de passar por nossos currículos, ppps, grades, seminários, encontros e etc.

Pontos que alimentam a interrogação inicial: que a fazem crescer em uns e nascer nos outros.
Pontos.
Pontos de exclamação quando exigimos.
Pontos finais quando temos certeza.
Pontos de interrogação para nós e aos outros.

Onde decidimos colocar os pontos?
Primeiramente no nosso ensino.

E então, foi aí que entraram aquelas palavras chaves. Elas que, as vezes, se renovam ou acumulam mais significados, mesmo quando parecem repetidas.
E sabemos que são elas que nos dão mais responsabilidade quando as utilizamos.

escrevê-las
pronunciá-las
praticá-las

Juntamos as palavras, as questões e os pontos. Procuramos uma sequências lógica - a sistematização. Levantamos crachás amarelos. Penduramos. Misturamos algumas palavras e as trocamos com os demais. Escutamos as palavras, as questões e os pontos.

No final, sabíamos claramente sentir e definir qual é o nosso propósito.
Cada um conseguiu apreender o que cada palavra o entregava como responsabilidade.

Todos saímos com o compromisso de levar as palavras, as questões e os pontos para outros estudantes.
E, sem dúvida, saímos com a interrogação inicial.
Afinal, talvez saibamos em que ponto queremos chegar. Mas, não temos a certeza de que estamos colocando os pontos certos como meio de fazer as palavras de posicionarem coerentemente nas questões que queremos transformar.